ARCOVERDE E REGIÃO

ARQUIVO DA HISTÓRIA DE ARCOVERDE.
A SANBRA QUE FUNCIONAVA NO INICIO DOS ANOS 80 E HOJE É O CECORA.
Arcoverde tinha na época a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro(SANBRA), uma empresa que gerava muitos empregos na cidade quando chegava os caminhões carregados de algodão de toda a região, onde os funcionários da SANBRA, descaroçavam os algodões e se transformavam em fardos para a fabricação de tecidos. Hoje é o CECORA(Centro Comercial Regional de Arcoverde).
E para você que não sabia. Antes da energia elétrica chegar em Arcoverde. O motor que gerava a energia elétrica na cidade era localizada no local. E funcionava até a meia-noite e durou até o ano de 1957. E depois a energia elétrica atual chegou até hoje. Um arquivo que os arcoverdenses não sabia como foi a história do CECORA, que já foi um local do motor que gerava a eletricidade e também a indústria da SANBRA.

SANBRA de Arcoverde, hoje CECORA

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 296 de março/abril de 2017 - Jornal de Arcoverde) 


Sanbra, inaugurada em 1919. Desde 1986 Cecora: goo.gl/maps/pU8Na). Foto do acervo O. e C. Neves, por cortesia do Sr. Carlos Carvalho (Recife). 

A cultura do algodão no sertão pernambucano induziu a industrialização do próspero distrito pesqueirense. Em 1919 foi inaugurada em Rio Branco (depois Arcoverde) a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro - Sanbra. Muitas gerações participaram das atividades dessa importante firma no progresso do município, registrado por vários historiadores. Até um famoso incêndio, ocorrido em 1925 (há 92 anos), tem seu resgate detalhado a partir de um jornal da época. Em 1983 a SANBRA é adquirida pelo município e suas edificações são adaptadas para comportar o Centro Comercial Regional de Arcoverde, Cecora, inaugurado em 1986.


A economia algodoeira em Pernambuco. Da colônia à Independênciahttps://goo.gl/bPZXjE José Ribeiro Junior. R. bras. Hist., São Paulo, set.1981
Página 235: «[...]O algodão em Pernambuco entre a década de 1760 e a de 1820, período no qual procuramos estudar a cultura algodoeira desde a sua introdução até o momento em que a planta atinge níveis de produção comerciáveis, integrando o agreste e o sertão na economia de mercado. Planta essencialmente tropical, o algodão era conhecido no Brasil pelos indígenas desde o primitivo século da colonização[...].Página 237: O surto do algodão em Pernambuco, como em todo o nordeste, localizou-se nas regiões semiáridas e subúmidas.[...]. Pág. 238: [...]Em 1816, o maior proprietário de que se tem notícia, na lavoura do algodão em Pernambuco, era Antônio do Santos Coelho (capitão-mor) instalado nas terras de Cimbres, solo de excelentes qualidades. Ele possuía 600 a 700 escravos e, segundo se pode concluir, dominava a produção algodoeira na região. Seus genros tinham 315 escravos. Constavam, inclusive, queixas contra eles de usurparem terras dos índios e a outros proprietários.»

Carregador de algodão. Viagens ao nordeste do Brasil. Henry Koster. Página 206 

Viagens ao nordeste do Brasil. Henry Koster. Cap.XVII.  2ª edição, Recife-PE, 1978, página 353.
1809 - «Agricultura. Algodão. Essa valiosíssima planta não se tornou menos preciosa para Pernambuco que a cana-de-açúcar, devido aos grandes pedidos de algodão desta província para as vizinhas e para os mercados britânicos. Novas fundações para o plantio de algodão são criadas anualmente, não obstante as dificuldades que surgem para a realização desse objetivo. Os distritos escolhidos com esse propósito são geralmente no interior, como melhores indicativos para o crescimento, e distantes das praias do mar, áridos, e algumas vezes escassamente supridos de água fresca. Há mesmo falta absoluta d'água, em várias ocasiões, ao mesmo tempo em que regiões próximas estão perfeitamente supridas nesse particular. A opinião geral é que o algodão não nasce nas terras próximas ao litoral e que as frequentes mudanças atmosféricas lhe são prejudiciais. As estações do inverno e do estio são mais regularmente marcadas a certa distância do mar, e nessas regiões as variações sucessivas dependem menos da superabundância das chuvas do que de sua escassez. O algodoeiro requer que o tempo esteja seco durante uma boa parte do ano. Se as chuvas caem quando o capucho está aberto, a lã está perdida, tornada amarela, diminuindo e ficando completamente inútil para o uso. O solo preferido para sua semente é o de barro vermelho escuro, ocasionalmente veiado de amarelo, vezes extremamente duro nos longos intervalos sem chuva. Os algodoais anualmente mais e mais se alongam para o interior, sobretudo nos planos do Sertão que permitem esse avanço. As plantações dessa espécie que estavam antigamente próximas da costa, são hoje utilizadas noutros gêneros de sementes. A constante exigência de novas terras requerida pela cultura do algodão, porque se julga necessário deixar a terra em repouso por vários anos antes de trabalhá-la novamente, pode, de alguma forma, explicar esse fato. Pode ser, igualmente, que o desenvolvimento rápido das populações ao longo do litoral possa ter determinado esse efeito, forçando a saída daqueles que cultivam um objeto de comércio, para dar lugar aos outros que cultivam os elementos necessários aos habitantes locais. O algodão é somente vendido em caroço pelo plantador, isto é, antes de ser separado da semente, e muitas pessoas encontraram meios de subsistência preparando-o para os mercados de exportação, mas como o labor e a conveniência aumentam nessa situação, os negociantes se instalam perto dos algodoais. Vão recuando na mesma proporção. Alguns anos antes via-se, a duas léguas do Recife, numerosas máquinas de descaroçar o algodão. Há poucos anos foram mudadas para Goiana e atualmente os principais pontos desse mercado são Limoeiro e Bom Jardim, lugares, como já descrevi, com muitas léguas de distância da costa. 
As terras são limpas para plantar algodão na maneira ordinária, cortando-se as árvores e queimando-as, e os buracos para semear são cavados em forma quadricular, numa distância de seis pés, uns dos outros, e são postos, comumente, seis sementes em cada escavação. Nas colônias britânicas é necessário semear de oito a dez caroços. O tempo para plantar é em janeiro, depois das primeiras águas, ou início do ano, logo após as chuvas caírem. O milho é comumente plantado entre os algodoeiros. Três, e algumas vezes quatro safras são obtidas com as mesmas plantas, mas a segunda colheita é a que dá, geralmente, os melhores tipos.
O arbusto é de bonita aparência, especialmente quando está coberto de folhas e cheio de lindas flores amarelas, mas os capulhos começam a abrir e a folhagem a secar, e seus finos galhos esparsos ficam despidos, e a planta recorda muito a uma negra muita de groselhas que há longo tempo não se poda. O algodão é colhido em nove ou dez meses,
A maneira para descascar o algodão é simples e podia ser mais simples ainda. Dois pequenos cilindros canulados são postos horizontalmente, um tocando o outro. Cada extremidade desses cilindros, numa ranhura, há uma corda enrolada, ligada a uma grande roda que está distante poucas jardas, onde fixam duas manivelas que são movidas por dois homens. Os cilindros são dispostos a movimentarem-se em sentido contrário, de forma que o algodão é posto em um deles e levado para o outro lado mas as sementes ficam porque a abertura entre os cilindros não é bastante larga para facilitar-lhe a passagem. A máquina usada nas colônias britânicas parece ser de construção maior mas é bem mais simples, porque o cilindro é movido pelo pé da pessoa que maneja o algodão. Depois dessa operação restam ainda algumas partículas das sementes quebradas, assim como outras substâncias, que devem ser retiradas. Para este fim, amontoa-se o algodão e o batem com paus grossos, processo que muito danifica a fibra, rebentando-a, e como o valor da procura para o fabricante depende sobretudo do comprimento da fibra, tudo devia ser feito para que esse processo fosse substituído.
As sementes aderem “firmemente umas às outras no espulho”, informa mr. Edwards falando de uma espécie das colônias britânicas, a qual denomina hidney-cotton, dizendo crer que seja “o verdadeiro algodão do Brasil”. O algodão amarelo de nanquim também é encontrado em Pernambuco, mas não constitui um artigo de comércio, mas é olhado como uma curiosidade. Vi igualmente algumas espécies de algodão selvagem mas como não obtive amostras não me é possível pretender dar descrição.
Os lucros alcançados pelos plantadores de algodão, nos anos favoráveis, são enormes mas as perdas experimentadas são frequentes. Ás vezes toda uma safra, de belo aspecto, é totalmente perdida. Certos anos são improdutivos ou n´outros, depois de promessas lisonjeiras, o joio, as lagartas, a chuva ou os estios excessivos, destroem todas as esperanças de uma futura colheita. A outra grande fonte do agricultor, a cana-de-açúcar, não é tão sujeita aos muitos e desastrosos revezes, e quando um ano é desfavorável, o imediato satisfará todas as despesas realizadas. Verifiquei que o mercado é fracamente afetado pelas esperadas quedas das safras, porque é digno de lembrança que, em país assim vasto, um distrito escapa do desastre enquanto os demais se arruínam.
A qualidade do algodão que é produzido na América do Sul, seja ao norte ou ao sul de Pernambuco, é inferior ao desta província. O algodão do Ceará não é tão bom e o do Maranhão é menos ainda. O algodão é comodamente embarcado nos portos desses dois pontos. Seguindo de Pernambuco para o sul, o algodão da Bahia não é bom e a pequena quantidade produzida no Rio de Janeiro é menos próprio que a baiana.
Tratando do açúcar e do algodão, expus as linhas essenciais que diferenciam os produtores das Antilhas dos do Brasil. Os meus leitores que tiverem interesse, envio-os ao citado e bem conhecido livro que consultei (History of the West-Indies, por Edwards).»

1919 - O Município de Arcoverde, 1951, Teófanes Chaves Riveiro, Prima, página 25: «Indústra – Apenas se encontram em Arcoverde, pequenas indústrias: sapatarias, movelarias, fábricas de bebidas, de lacticínios etc. Seu principal estabelecimento fabril, é a Usina de beneficiar algodão, pertencente à Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S/A (Sanbra), cujas instalações foram montadas pelo engenheiro Francisco de Assis Brandão Cavalcanti e inauguradas no dia 8 de dezembro do ano de 1919. É acionada por dois motores Deutz num total de 265 HP. Nos períodos das saíras mantém duzentos operários, mais ou menos, entre homens e mulheres. Seu movimento de compra de algodão no ano de 1950 atingiu a quantia de Cr$ 31.701.126,80. Sanbra tem em sua gerência, atualmente, o sr. Emanuel Veras.»

14-08-1920 Jornal do Recife  goo.gl/C9M4mm  , 1ª col.: A coluna “Pelos municípios” resumia os principais acontecimentos de Rio Branco. Entre eles: «[...] Não regateamos aplausos àqueles industriais pelo melhoramento que acabam de introduzir nesta vila. - Também estão bem adiantados os trabalhos da construção da fábrica de beneficiar algodão, de propriedade da Companhia Algodoeira Nordeste do Brasil. (Do correspondente). Rio Branco, 10-8-920.»

24-09-1925 – Jornal do Recifegoo.gl/gjvMBg  , 1ª col.: De Manoel Gregório Teixeira da Lapa. Informações diversas de Rio Branco sobre Lampião, Banco do Brasil, incêndios
«Incêndios - À semana passada foi destruída pelo fogo uma carroça carregada de algodão e desgarrada providencialmente do trem que, poucos minutos antes das 15 horas, saíra da estação local; três outras arrojaram-se linha abaixo e foram de encontro a uma barreira sobre a qual montaram, correndo [..] cerca de dez metros ou mais. Foi um espetáculo terrível[..] de carros carregados de algodão despedaçando-se uns contra os outros e quase sepultando nos escombros a "dulçurosa" pessoa de Simão Rocha, o proprietário da afamada goiabada marca TIGRE, bem como dois aleijados boiadeiros que fizeram a esquisita "cavalgada das walkyrias" no carro-brake, implorando misericórdia e cerrando os olhos como para diminuir a dor da morte. Graças a Deus, porém, nem perdemos a boa companhia do Rocha, nem a carne verde subiu de preço, porque os boiadeiros nada sofreram.
Hoje tivemos o desgosto de assistir à destruição por novo incêndio, dos grandes armazéns da usina de Pinto Alves & Cia (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro). Seriam seis horas da manhã quando se notaram as primeiras nuvens de fumo emergentes do teto da usina. Incêndio! diziam uns meio surpresos, enquanto outros contestavam: Expurgo de algodão pelo funcionário que a higiene nos remetem, coberto por um sebaceo bonet do D.S.A.! Afinal, após alguns minutos de indecisão e bons augúrios, a população de Rio Branco foi sacudida pelo brusco acontecimento e, dentro em pouco, estava coalhado de gente de todos os matizes o grande pátio da usina cujas dependências foram tomadas pelo respeito abnegado de todos quantos se empenharam na luta contra o ígneo elemento. Subiam as línguas de fogo contra as quais pouco valiam os esguichos mirrados dos "fire-extinguishers" da usina lamentavelmente desprovida de material de urgência em casos desta natureza: foi quando o povo apelou para as latas d´água para os ganchos de puxar fardos de algodão, para a apanha do ouro branco, para o esvaziamento dos depósitos da usina, para o ataque generalizado e intenso ao fogo cujas labaredas lambiam já o teto e soltavam gargalhadas rubras para a rua, rasgando os lábios graníticos do fortíssimo casarão de cimento armado. Espetáculo tétrico e, no mesmo tempo, empolgante, como todos esses em que o fogo toma parte! Uma desolação geral, um verdadeiro afã em prol da usina que dá trabalho a tantos operários, que tanto impulso empresta ao programa da terra do Jé. E foi verdadeiramente confortável e edificante o desprendimento, a verdadeira abnegação, a bravura quase temeridade com que se arrojaram ao combate empregados e operários da usina, negociantes dos mais importantes da localidade, o próprio molecório da rua recrutado por Boleiro, enfim todos quantos não se deixaram ficar em casa, ou porque sejam preguiçosos, ou porque tenham na alma a eterna desconfiança dos incêndios cujo aspecto os acompanhe, ou porque lhes pareça sempre nada o sofrimento e a dor alheios. Foi um trabalhar sem tréguas em que todas as boas vontades se confundiram e se ajudaram, até que, por cerca de meio-dia, baixava a fúria do sinistro, fora localizado o incêndio, embora com a destruição de quinhentos e muitos fardos e sacas de algodão, todo o stock da usina neste dia. Muito sofreu o algodão em rama quase todo molhado e outra vez ciscada por força da manobra a que o sujeitaram com o fito de livrá-lo das chamas. Distinguiram-se pelo esforço e abnegação no afanoso trabalho contra o fogo o sr. Ignácio Mariz, auxiliar da usina, um possante negro trabalhador da firma Nebrídio, Campos & Cia., os quais se atiravam às chamas desassombradamente, derramando latas d´água e conquistando fardos e sacas de algodão à fúria do inferno desenhado no recinto rubro; e os senhores Ernani Gomes, Cícero Ferreira, Zezé Cavalcanti, Joaquim do "burro", este popular funcionário daGreat Western, um moço funcionário da usina Novaes, o coronel A. Velloso, o sr. Jerônimo Jé, o sargento Jayme, o dr. Delphim Araújo que, apesar de doente, tomou encargo de preparar as soluções para os extintores, o sr. João Manso de Barros, um português empregado de Joaquim Soares, o sr. Manoel Fernandes, um viajante de Garanhuns o qual muito trabalhou, o sr. Cícero Cordeiro, o coronel Japyassu e o capitão Fiuza,  gerente da usina, o qual se encontrava em viagem para Caruaru, tendo sido chamado por telegrama urgente, quando passava por Pesqueira no comboio da Great Western. Inúmeras outras pessoas, inclusive operários da usina entre os quais muitas mulheres e meninas, trabalharam à porfia; não lhes citamos os nomes, porque esse Jornal é pouco e nós os ignoramos, entretanto, os srs. Pinto Alves & Cia, e a Sociedade Algodoeira devem enxergar na população de Rio Branco, uma verdadeira legião de amigos e abnegados. A polícia fez "hombro armas!" e montou guarda aos escombros, mas - exceção do sargento - nenhum soldado fez exercício de bombeiros, o que certamente é reprovável. Esteve no local do alinstro o subdelegado sr. Francisco Jé. O empregado da usina, chamado Esmeraldino, portou-se com muita galhardia no serviço de ataque ao fogo, bem como o maquinista e foguista da mesma empresa, ambos esforçadíssimos no desempenho de suas obrigações. Numa palavra ninguém se poupou ao serviço; todos deram provas do espírito fraternalíssimo deste povo nordestino. Já em meio ao sinistro, foi adotado o alvitre de canalizar água do poço da usina para os salões abrangidos pelas chamas; mas faltavam canos. Foi quando a exma. viúva Rodrigues mandou abrir seus armazéns e fez transportar num dos caminhões todo o sortimento de canos e material necessário à nova tentativa imediatamente posta em prática pela tenacidade do jovem funcionário filho do dr. Elyseu, dos eletricistas da firma Brandão. Cavalcanti, ambos sobremodo esforçados e prestativos, do maquinista da usina e do viajante de Garanhuns, todos aliados à boa vontade, ao desprendimento e à calma com que o sr. Cícero Ferreira distribuía o material trazido dos armazéns da firma que dirige, demonstrando ele próprio a estupenda força muscular de que é dotado, além do sangue frio com que encarava a situação. Todavia, ninguém pode contestar que as honras do supremo esforço e heroísmo cabem a Ignácio Mariz, ao negro da casa de Nebrídio e a Delphim Araújo, cada qual na esfera dos misteres a que se dedicaram.
No local do sinistro vimos também o inspetor do Banco do Brasil, sr. Atahualpa Guimarães, acompanhado do gerente Álvaro Pinheiro.
Ai está a primeira consequência do expurgo a que obrigaram o algodão, para livrá-lo do micróbio da peste.
Hoje à tarde reuniram-se os comerciantes de algodão e passaram dois longos despachos telegráficos, um ao dr. Amaury de Medeiros, e outro ao prefeito de Pesqueira, o major Cândido Britto, solicitando a interferência de ambos no sentido de fazer cessar a inconveniente providência de expurgo do algodão enfardado para embarque. Porque, a julgar pelo princípio, a vila de Olho d´Água dos Bredos se arrasa com outro incêndio de algodão expurgado. Vamos ver qual providência nos dará o esforçado diretor da Higiene Estadual.»
28-02-1935 - Diário de Pernambucogoo.gl/yVQxfx , 6ª col. Pelos municípios. Rio Branco. Embaixada acadêmica carioca visita Sanbra etc.
21-12-1937 - Diario do Estadobit.ly/1QBt8Hi , 1ª col.: “Instituto de Pesquisas Agronômicas. Relatório de inspeção. Sanbra” (2ª col.).


Minha cidade, minha saudade, Recife-PE, 1972 - Luís Wilson, página  399: «Meu pai me contou que está com o Bar da rua Grande, em Rio Branco, desde 1926. Eu pensava que ele o havia comprado alguns anos depois, mas o engano é meu.
Eu tinha também a impressão, de que um, grande incêndio que houve na SANBRA, no meu tempo de menino, havia sido em 1928.
Esmeraldino, que chegou a Rio Branco em 1913 e trabalhou na “ Algodoeira", quase que toda a sua vida, contou-me, no entanto, da última vez em que estive em Arcoverde, que aquele incêndio foi em 1924. Mais de 250 fardos de algodão de 250 quilos,  mais de 70 fardos menores e muitas sacas de mamona pegaram fogo. Os jumentos da cidadezinha não pararam, carregando água do "seu" Jé até à tarde.» 


Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. 1982 – Luís Wilson, Recife-PE. Página 103.
«Mais de 250 fardos de algodão de 250 quilos, mais de 70 fardos menores  e muitas sacas de mamona pegam fogo na Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro), em Rio Branco, nosso maior incêndio em todas as épocas. Não sabemos, aliás, de outro incêndio, entre nós. As carroças de bois, compridas e de 4 rodas, de “mestre” Leôncio, de Zé Ferreira, de ”seu” Albino, e os jumentos da cidadezinha passaram o dia carregando água de “seu” Jé (Cel. Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque Jé), no fim da “rua”, coisa alguma, evidentemente, podendo fazer para apagar o fogo.
“ A Sanbra, cujos edifícios foram inaugurados no dia 8-12-1919, era nosso principal estabelecimento fabril, acionado por dois motores Deutz de 265 HP, mantendo no período da safra cerca de 200 operários.»

Centro Comercial Regional de Arcoverde Vereador Ulisses de Britto Cavalcante: Cecora, fundado em maio de 1986. Foto PSF nov.2015.

Arcoverde. História político-administrativa. Brasília-DF, Sebastião Calado Bastos, 1995. Página 198.
«Logo em seu primeiro ano de mandato, o prefeito Ruy de Barros realizou um feito de caráter administrativo da maior relevância, fazendo-o merecedor do respeito de todos os arcoverdenses.
Contando em todos os momentos com o governador Roberto Magalhães, o executivo municipal resolveu fazer uma proposta à Sanbra – Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, para aquisição de toda a área ocupada por essa empresa, inclusive as edificações nela existentes.
José Valdeci do Amaral, funcionário da Sanbra em Recife e o dr. Inácio Menezes, ex-gerente, tiveram fundamental importância no negócio, ao fazerem gestões junto ao representante da firma em São Paulo, o espanhol Herrera.
A proposta do prefeito, que viria a ser aceita, totalizava oitenta milhões de cruzeiros, sendo trinta milhões de entrada e mais cinquenta milhões parcelados.
O governador garantiu a parcela inicial de trinta milhões de cruzeiros, importância paga em 10 de dezembro de 1983, por ocasião da assinatura do instrumento formal de compra e venda e a prefeitura apresentou carta de fiança bancária em cobertura das cinco parcelas restantes de dez milhões de cruzeiros cada uma.
Efetivava-se assim um grande empreendimento, que viria aumentar substancialmente o patrimônio da municipalidade, sem contar os benefícios decorrentes da utilização desse complexo arquitetônico, pois no Cecora foram instalados duzentos e oitenta boxes, dezesseis mil metros quadrados de calçamento, quarenta e oito postes de eletrificação, posto de saúde e comissariado, para relocação da feira livre.
Em convênio com a LBA procedeu-se à implantação da 1ª etapa do Espaço Cultural no Cecora.»

Mercado Público de Carnes Joel Vilela da Silva, inaugurado em 17-10-2015 no Cecora. Foto PSF nov. 2015.
O trem que cortava os sertões pernambucanos...
Mais uma bela imagem do memorável "Trem da Serra", ou Recife - Salgueiro. Esta imagem, da década de 1980, foi feita justamente no momento em que a composição, com destino a Recife, estava alinhada à plataforma da Estação Ferroviária de Henrique Dias (canto esquerdo), no km 297 da Linha Centro. Já percebe-se um certo abandono na plataforma mal cuidada. Mas mesmo assim, nota-se a movimentação de passageiros ao fundo. O último trem de passageiros Recife - Salgueiro rodou em 1989, quando foi então desativado, deixando milhares de pessoas sem a opção do transporte barato e seguro proporcionado pela ferrovia. Henrique Dias é uma povoação do município de Sertânia, uma das muitas povoações que eram movimentadas pelo trem. (Imagem: Página Sertânia-PE).



Mais anotações sobre o histórico de Arcoverde

Por: Pedro Salviano Filho
(Coluna Histórias da Região - Edição de Julho/Agosto de 2013 - Jornal de Arcoverde)



Arcoverde em 1956 – Foto de Tibor Jablonsky e Walter Egler

Um dos fundadores de Arcoverde foi Leonardo Pacheco Couto. Ele doou terreno e também construiu a primeira igrejinha do então arruado Olho d´Água (depois Olho d´Água dos Bredos, Rio Branco e depois Arcoverde). E no mesmo local onde hoje está a matriz N.S. do Livramento. Em «Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos», 1978, volume 3, pág. 911, Luis Wilson cita: «O capitão Leonardo Pacheco Couto, fundador em ´Rio Branco´da fazenda Santa Rita, em volta de cuja capelinha (edificada a 7 ou 8 quilômetros da casa grande da antiga propriedade), constituiu-se a vilazinha ... casou, todavia, com D. Ana Antônia Cordeiro do Rego, de família das imediações da Serra das Varas, contraforte da lendária Ararobá, como a Serra do Gavião, a do Jardim e outras, onde viviam os paratiós (índios da tribo tapuia).»


Mas quando casou Leonardo Couto? Transcrevendo para uma planilha o primeiro livro de matrimônios (1816 a 1829) da igreja N. S. das Montanhas, de Cimbres, eu encontrei a resposta: ele se casou em 24 de novembro de 1818. Ele era filho de Duarte Pereira e Francisca da Piedade e ela de Duarte de Benevides Cordeiro e Antonia Maria. Coloquei este registro e todos os demais do mencionado livro disponíveis para pesquisa (fazer download) em http://bit.ly/1fui8ae. No citado livro de Luís Wilson, pág. 912, há a informação que Ana Antônia Cordeiro do Rego faleceu em 25 de dezembro de 1863 e Leonardo Pacheco Couto em 12 de junho de 1870, aos 89 ou 90 anos de idade.


Como era a vida dos padres naquele início de século 19, justo quando a “Olho d´Água” se iniciava? Recorremos às informações do português de origem inglesa Henry Koster: “Viagens ao nordeste do Brasil. Henry Koster. Recife, 1978. Pág. 105":


«Ouvi falar num hábito curioso que existe nessas regiões onde as moradas são tão afastadas umas das outras. Certos padres obtêm licença do Bispo de Pernambuco e viajam nesses lugares com um altar portátil, construído para esse fim, conduzido por um cavalo, assim como todos os objetos para as missas. Esse é dirigido por rapaz que ajuda às missas, e noutro animal vem o padre e sua pequena bagagem. Esses padres, no curso de um ano, ganham de 150 a 200 libras, renda considerável para Brasil, mas dificilmente conseguida se pensarmos nos sofrimentos e provações que foram obrigados a suportar. Eles param, erguem o altar onde existe um certo número de pessoas que podem pagar para ouvir a missa. E dita mais das vezes por três ou quatro shillings, mas quando há um homem rico que tem o orgulho de possuir um sacerdote, ou é muito devoto, dá oito ou dez mil réis, duas ou três libras, e há quem chegue a pagar cem mil réis para ouvir uma missa, mas é raro. Presenteiam, às vezes, com um boi, um ou dois cavalos. Esses padres têm sua missão no Mundo. Se essa tradição não existisse todo culto era impossível para os habitantes de muitos distritos, ou bem, eles não poderiam assistir a um serviço religioso senão uma ou duas vezes por ano porque é muito para lembrar que algumas partes ficam a vinte e trinta léguas da igreja mais próxima, e nessas paragens em que não há lei nem religião real e racional, alguma cousa é melhor que cousa alguma. Seus batizados e casamentos guardam o ritual religioso e preservam do desaparecimento total as regras estabelecidas na sociedade civilizada. É o liame que prende todo esse povo e o sustenta, no fio das ideias recebidas, juntos às populações maiores de outros distritos.»


Procurando acrescentar mais informações documentais ao histórico da nossa região, apresentamos um relatório de missionários sobre Santas Missões realizadas em 1906 na região, quase 100 anos após as primeiras habitações surgirem no nosso município. Além de revelações curiosas, pode-se observar que a ideia de se renomear “Olho d´Água dos Bredos” para “Cardeal Arcoverde” passou a existir apenas meio ano depois de D. Joaquim assumir o importantíssimo posto de cardeal. Foi mantida a escrita da época nesta transcrição.


A PROVINCIA. N. 188, de 19-08-1906. Santas missões


Escrevem-nos de Olho d´Agua dos Bredos:


«Sempre victoriosos na causa santa do bem, os abnegados capuchinhos frei Gaudioso e frei Daniel, guiados pelo anjo do Senhor, vão deixando por onde missionam, inumeros beneficios e, ardentes de fé, vão esálhando profusamente as palavras do Evangelho, à semelhança de benefico rocio; e vemo-los, conquistando, esses beneficos filhos de S. Francisco, hontem em Agoas Bellas, depois em Buique, S. Domingos, em Pedra e hoje em Olho d´Agua dos Bredos, novos e mais virentes louros e maiores e mais abundantes fructos na messe do Senhor.


No dia 22 do corrente, às 5 horas da tarde, chegaram nesta povoação os queridos filhos de Assis, acompanhados por mais de 200 cavalleiros do municipio da Pedra, que vinham aqui fazer as ultimas despedidas aos revdms. missionarios que souberam durante o curto espaço de tempo que lá estiveram fazer verdadeiros amigos.


Grande numero de pessoas estava a um kilometro mais ou menos, antes deste povoado, aguardando ancioso a vinda dos levitas do Senhor, que foram conduzidos no meio de acclamações até a casa que estava preparada para os hospedar, falando o apear-se o revem. frei Gaudioso.


A rua principal do povoado estava, bem como o acaminho, cheia de arcos triumphaes, poeticamente confeccionados com verdes folhas de palmeiras.


Na mesma noute da chegada, na elegante capella do logar assomou à tribuna o verboso orador frei Gaudioso e declarou aberta a missão, dizendo quaes os fins a que vieram alli, e cheio de reconhecimento fez ainda elogiosas referências aos habitantes do municipio da Pedra e mais uma vez agradeceu a estima, apreço, consideração e carinho que lhes dispensaram, e finalmente, com palavras repassadas de tristeza e de dor, lamentou o estado de abandono e falta de zelo que se nota na bonita e elegante capella da povoação, incitando os habitantes do logar a não desmentirem o zelo e fervor religiosos de seus antepassados.


Do dia 23 a 29 do corrente os infatigaveis missionarios entregaram-se aos seus arduos ministérios; pela manhã pregava o frei Daniel, à noite frei Gaudioso.


As palavras dps levitas do Senhor tiveram o dom de convencer grande multidão, que attenta os ouvia, colhendo o proveito das predicas e guardando-as em seus corações qual santo alimento do espirito.


O tribunal da regeneração, a santa confissão, foi procurado por centenas de pessoas, desde o alvorecer do dia até muitas vezes mais de meia noite, e os cultivadores da vinha sagrada ouviam os penitentes.


O pão da vida, a hostia sacrosanta foi distribuido com fructo a muitos dos que se achavam dignamente preparados.


Confessaram-se mais de 1900 pessoas e receberam em seus corações a Nosso Senhor Jesus Christo mais de 1000.


Apezar de, nas ultimas missões da Pedra e no Buique, muitas pessoas deste lugar terem se casado, os reverendos capuchinhos ainda efectuaram 20 casamentos, sendo a quasi totalidade entre amancebados.


A palavra santa do Evangelho não cahio deste povoado entre sarças e espinhos, nem sobre pedras, mas directa tocava os corações dos que tiveram a ventura de ouvi-la e logo germinaram e produziram abundantes fructos; além dos muitos amaziado que legitimaram suas uniões, outros houve que, tocados da graça de Jesus e das sublimes palavras dos filhos de Assis, deixaram o caminho torpe do vicio, da libertinagem e da devassidão e tornaram-se catholicos e homens de bem.


Em oito dias de missão os missionarios contruiram e edificaram o cemiterio deste povoado, caiou-se, limpou-se a igreja que causa-nos pena dizer... estava muito suja!


No dia 29, ultimo dia da missão, houve benção solemne do cemiterio e do cruzeiro que lá foi erigido, falando no momento o talentoso frei Gaudioso; à tarde houve o encerramento, precedido da tradicional procissão de triumpho, sahindo em ricos andores as imagens do Crucificado, Nossa Senhora do Livramento, padroeira do logar e Nossa Senhora do Bom Conselho.


Empolgante, bello era o espetaculo que se desenvolvia a nossos olhos ao vermos milhares de pessoas conduzindo, todas, bandeirinhas de várias côres, com as iniciais N.S.L., e com os corações repletos de goso e de satisfação entoarem ao Senhor dos Exercitos hymnos e canticos após a benção do Santissimo Sacramento.


Recolhida a procissão, realizada com a maior devoção, e agglomerado o povo na latada, assomou à tribuna o ilustre orador sagrado frei Gaudioso e num arroubo de eloquencia despediu-se do povo, invocando sobre todos as bençãos de Deus para que perserverassem na virtude até o fim da vida, para merecerem a gloria na bemaventurança eterna, seguindo-se após à pratica a benção papal.


Lagrimas de verdadeiras saudades derramou o povo reconhecido.


Em homenagem ao 1o. cardeal brasileiro, d. Joaquim Arco-Verde, natural deste povoado, os missionarios, de accordo com o povo, mudaram-lhe a denominação: Cardeal Arco-Verde chamar-se-á do hoje em diante esta povoação, e esperamos que os poderes legaes sanccionarão essa homenagem justa e expontanea do povo, autorisando por lei esta nova denominação.


Pelas 4 horas mais ou menos partiram os missionarios para a villa da Pedra, sendo acompanhados por muitos cavalleiros; momentos antes falou em nome do povo, com phases inspiradas, o inteligente accademico Walfrido Freire, que agradeceu o beneficio prestado ao logar pelos caridosos filhos de S. Francisco.


Tres kilometros antes de chegarem a Pedra veio ao encontro dos reverendissimos padres o reverendo vigario José Ribeiro e grande numero de cavalleiros, sendo recebidos ao entrar na villa, ao estrugir dos foguetes e ao som da banda musical da Pedra, por centenas de pessoas, que victoriavam e saudavam os missionarios.


Muito serviço prestaram, auxiliando os missionarios, o reverendissimo padre Rolim, nosso virtuoso vigario e padre José Ribeiro, vigario da Pedra.


Resta-nos somente invocar sobre os santos Ungidos do Senhor as graças e as bençãos de Deus, a quem tambem rendemos mil graças pelos abundantes beneficios que nos concedeu por intermedio destas missões e que nos conceda a graça de continuarmos até o fim, proferindo mil vezes morrer a sahirmos fora das santas leis de Jesus e de sua Mãe Santissima, a sempre Virgem Maria.


Cardeal Arco-Verde, 30 de julho de 1906.»

Retratando Arcoverde

Pedro Salviano Filho
(Coluna Histórias da Região - Edição de Setembro/Outubro de 2013 - Jornal de Arcoverde)


Certamente a fotografia é uma das ferramentas mais importantes para a comunicação. É um meio de expressão realista que permite contar a história, registrar a memória. Dada a sua importância, pode-se notar que, muitas vezes, ela é maltratada. Ainda não atingimos uma cultura visual e nem parece que valorizamos o ensinamento do filósofo chinês Confúcio: «Uma imagem vale mais que mil palavras». Onde estão depositados os acervos fotográficos da nossa região?
No que pese o empenho de abnegados arcoverdenses em resgatar imagens da nossa cidade, especialmente através de publicações de livros históricos, muito se pode fazer para a preservação de flashes da nossa história que, com o passar do tempo, vão se perdendo pelos anos.
Mas, quando começaram a ser realizados os registros fotográficos no Brasil? O livro «Hercule Florence: a descoberta isolada da fotografia no Brasil» de Boris Kossoy, http://goo.gl/5THnte , nos dá interessantes informações sobre o pioneiro da fotografia no Brasil. Basicamente os retratos brasileiros começaram a ser realizados a partir de 1840 (com o daguerreótipo, em 16 de janeiro, com Louis Compte. Dom Pedro II tornou-se um grande entusiasta da daguerreotipia e, antes mesmo de completar 15 anos de idade, começou a fotografar e colecionar fotografias - http://goo.gl/SPQSar ). Com a divulgação da fotografia, muitos fotógrafos passaram a se estabelecer em várias capitais, inclusive no Recife.
Recentemente uma parte do acervo do jornal Diário de Pernambuco (de 1825 a 1873), passou a ser disponibilizada pela Universidade da Flórida para pesquisa pela web http://ufdc.ufl.edu/AA00011611/. A pesquisa por palavra pode ser feita pelo site da Google: site:http://ufdc.ufl.edu/AA00011611/ palavra (<-substituir palavra pelo nome que deseja pesquisar). Nesse importante «jornal mais antigo em circulação na América Latina» encontramos anúncios sobre fotógrafos. Entre eles anúncios de 1866: http://goo.gl/jIXkpW.
O Instituto Moreira Salles mostra fotos antigas do Recife: http://goo.gl/i0MGz3 .
Porém, quais os primeiros arcoverdenses («olhodaguenses») fotografados?
A Fundação Joaquim Nabuco disponibilizou quase cinco mil documentos na «Coleção Francisco Rodrigues», com fotografias do século XIX e início do século XX: http://digitalizacao.fundaj.gov.br/fundaj2/. Também o portal Domínio Público dá opção para baixar fotos da coleção citada e de outras: http://goo.gl/Kw7X .



Os filhos de Budá em Roma: Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (nascido em 1850), Leonardo Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1855), Antônio Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1851) e Francisco de Albuquerque Cavalcanti (1856). Foto Rinaldini. http://goo.gl/M6xc3Z.


Já foi abordado nesta seção em outras edições o tema sobre a família Arcoverde: http://goo.gl/H27zui ehttp://goo.gl/qZG2Pp . Mais fotos de século 19 da família Arcoverde: http://goo.gl/Z4Fb (tipo=imagem, título= Arcoverde).
Agora focamos a fotografia em nossa região. Quem foi o primeiro fotógrafo a se instalar em Arcoverde (século 20)?
Quem nos responde é Luís Wilson: «Foi Otaviano Zeferino Neves. Desde que veio para Rio Branco foi o fotógrafo de todos os meninos, de todas as moças, dos rapazes, de todos os batizados, de todos os casamentos e de todas as festas da cidadezinha». Continua Luís Wilson: «No dia 4 de junho de 1943 morre em Rio Branco Otaviano Zeferino Neves (Otaviano Neves), nosso primeiro fotógrafo de Rio Branco cerca de 23 anos. Ele chegara em 1920, vindo de São Sebastião do Umbuzeiro (PB), onde nascera em 22-8-1886. Sua cunhada, D. Amélia, ficara viúva, tenho a impressão que em 1919, de Silvio de Aguiar Campelo, proprietário da Padaria Confiança e de uma Mercearia em nossa atual Av. Cel. Antônio Japiassu, em Rio Branco. Depois da morte de Campelo, vendeu D. Amélia a Padaria Confiança a Manuel (Noé) Nunes Ferraz (recém-chegado de Vila Bela) e a Mercearia, a Euclides Arantes. Otaviano, fotógrafo e funcionário da nossa Prefeitura (administração Dr. Luís Coelho), era casado com D. Dorinha e são os pais de Hilda, Djanira (mais tarde, senhora Maurício Ferraz), Gracinha (que casou com Antônio Cadena), Berenice (também casada, com sucessão) e Zé Neves (25-3-1933 – 26-8-1967)» Município de Arcoverde (Rio Branco) Cronologia e outras notas. Luíz Wilson, 1982, pág. 160. Já na pág. 314 de Minha Cidade, Minha Saudade ele revela:
«Na década de 30, Dr. Luís Coelho recebia sempre a Sociedade, no clube “Independentes”, no dia do seu aniversário – 25 de maio. Era a maior festa do ano, em Rio Branco, na minha adolescência e no meu tempo de rapaz. Estavam sempre presentes, além de grande turma de Pesqueira... e ainda, entre muitos, Otaviano Neves, dedicado amigo do Dr. Coelho, até o dia de sua morte, ocorrida em Buíque (04-06-1943), onde estava a serviço de sua profissão de fotógrafo.
Nascido na fazenda “Santana”, município de São Sebastião de Umbuzeiro, na Paraíba, no dia 11 de dezembro de 1887, Otaviano foi para Rio Branco em 1919 ou 1920. Era filho de Manuel Zeferino Neves e de sua esposa, dona Sebastiana Gomes de Almeida Ferraz (tia do Cap. Vicente Gomes), pais, também, de Manuel Crispiniano, José, Olímpio, já falecido), Judith (também falecida), Maria e Crispim (este último, igualmente, falecido)».
Encontramos no livro 6 de óbitos (1943-1945) do registro civil de Arcoverde, sob n. 1568, fls.26/27 (imagem 37/247http://goo.gl/iyhmdY ) que ele faleceu em Buíque, com angina do peito, em 4 de junho de 1943 e foi sepultado no cemitério público de Arcoverde. Segundo o livro «Na sombra do juazeiro», o padre João Jorge Rietveld mostra que Otaviano Zeferino Neves era irmão de Crispiniano Neves. Este, nos anos 1935 a 1937, trabalhou como fotógrafo na então «Alagôa do Monteiro»):http://goo.gl/vI2ejc e http://goo.gl/9F3ccr .
«Seu» Crispim, como era conhecido, foi fotógrafo de muitas famílias, inclusive da minha. Tenho várias fotos que registraram o desenvolvimento dos meus familiares. Ele era casado com a sra. Alzira. Viúva, ela vendeu o acervo que sobrou das placas fotográficas para o Sr. Carlos Carvalho, hoje estabelecido em Recife (carlosvideoefotos@gmail.com ). Boa parte deste acervo já foi apresentada inclusive em ÍCONES. PATRIMÔNIO CULTURAL DE ARCOVERDE, livro de Roberto Moraes e CINE BANDEIRANTE. HISTÓRIAS QUE O VENTO NÃO LEVOU, de Fernando Figueiredo.
Outro fotógrafo que se destacou em Arcoverde foi Manoel Campos. Todo o seu acervo foi adquirido por José Campos Pereira («Biuzinho») que o repassou para Campercolor que, segundo ele, nada mais possui daquelas fotos.

Fotos à esquerda do acervo O. e C. Neves. À direita Jornal de Arcoverde (out.2013)



Edifício Ilitosa, onde funcionou o Banco do Povo, da Bahia... e funciona o Bradesco.


Cine Bandeirante, inaugurado em junho de 1947, permaneceu em atividade até 1983. Hoje lá funciona uma loja comercial.


1915 – Manuel de Siqueira Campos manda construir a Estrada de Triunfo a Rio Branco... Os automóveis em que viajaram a Triunfo o Dr. Manuel Borba, governador do Estado, e sua comitiva [para inauguração] (um dos quais do Cel. Delmiro Gouveia e outro do Dr. Romeu Pessoa de Queiroz), vieram até Rio Branco em um carro de nossa antiga “Great Western”. Município de Arcoverde (Rio Branco), 1982 – Luís Wilson, pág. 83.


Rua Alcides Cursino, até anos 60 era Augusto Cavalcanti (mais antigamente, rua do Cuscuz).


Rua Grande, rua do Comércio, rua João Pessoa, rua Cardeal Arcoverde, rua Cleto Campelo... atual Av. Cel. Antônio Japyassu.


Outro ângulo da Av. Cel. Antônio Japiassu, em mais uma imagem do acervo do Sr. Crispiniano Neves (Sr. Crispim).


ROSA BARROS CONSEGUE VITÓRIA NO TCU
A ex-prefeita de Arcoverde, Rosa Barros (PR), assessora especial do governador Eduardo Campos, teve por unanimidade, o Tribunal de Contas da União julgando regulares, com ressalvas, uma Tomada de Contas Especial realizada nas obras do Teatro de Arcoverde cuja construção foi iniciada durante a gestão dela.
O TCU  fez uma Tomada de Contas Especial, cujo relator foi o ministro Valmir Campelo. Ele julgou regular, com ressalvas, a prestação de contas da ex-prefeita e lhe deu plena quitação.

Segundo o advogado  Edilson Xavier, os recursos que ela recebeu do governo federal não foram suficientes para concluir a obra, porém 95% ficaram concluídas. O advogado, em contato com o nosso blog comemorou a decisão, quue para ele mostra que "um advogado sertanejo também pode obter vitórias em tribunais superiores".



SERRA TALHADA DEBATE JORNALISMO E MÍDIA DIGITAL DIA 06


TRANSNORDESTINA EM DEBATE NA CIDADE DE ARCOVERDE
Na próxima quinta-feira, a Átrios Consultoria e Negócios promove no auditório da AESA - Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde, um seminário sobe a construção da Transnordestina. Na oportunidade serão apresentados os novos negócios e desenvolvimento, além da negociação do projeto de lei de desoneração do ISS a onde a transnordestina vai passar.
Vão participar do seminário prefeitos de Arcoverde, Buíque, Flores, São Bento do Uma, Altinho, Custódia e Cachoeirinha. O encontro começa às nove da manhã. No próximo dia 15 de maio, a empresa Odebrecht deve estar abrindo uma frente de trabalho da Transnordestina em Arcoverde.

2 comentários:

  1. Oi, interessante, pois aqui em Pesqueiratambém temos o melhor blog de toda a região. Gostei desse. Aqui quem fala é Cristiano, publicitário, presença em todo o estado de Pernambuco, Recifense e atua em Pesqueira-PE há mais de 5 anos.

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